sábado, 9 de outubro de 2010
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
José Régio - Soneto quase inédito
Há coisas que, em Portugal, não mudam, apesar dos tempos e das vontades, do ser e da confiança!
Passam mais de 40 anos em relação à data da sua elaboração, mas este "soneto quase inédito" de José Régio (cuja temática da solidão “de marfim” e do alheamento social praticada geralmente pelo autor virá a ser tão condenada por Álvaro Cunhal) continua bastante actual nestes nossos tempos de crise, que vieram para ficar:
Surge Janeiro frio e pardacento,
Descem da serra os lobos ao povoado;
Assentam-se os fantoches em São Bento
E o Decreto da fome é publicado.
Edita-se a novela do Orçamento;
Cresce a miséria ao povo amordaçado;
Mas os biltres do novo parlamento
Usufruem seis contos de ordenado.
E enquanto à fome o povo se estiola,
Certo santo pupilo de Loyola,
Mistura de judeu e de vilão,
Também faz o pequeno "sacrifício"
De trinta contos - só! - por seu ofício
Receber, a bem dele... e da nação.
JOSÉ RÉGIO, 1969
Passam mais de 40 anos em relação à data da sua elaboração, mas este "soneto quase inédito" de José Régio (cuja temática da solidão “de marfim” e do alheamento social praticada geralmente pelo autor virá a ser tão condenada por Álvaro Cunhal) continua bastante actual nestes nossos tempos de crise, que vieram para ficar:
Surge Janeiro frio e pardacento,
Descem da serra os lobos ao povoado;
Assentam-se os fantoches em São Bento
E o Decreto da fome é publicado.
Edita-se a novela do Orçamento;
Cresce a miséria ao povo amordaçado;
Mas os biltres do novo parlamento
Usufruem seis contos de ordenado.
E enquanto à fome o povo se estiola,
Certo santo pupilo de Loyola,
Mistura de judeu e de vilão,
Também faz o pequeno "sacrifício"
De trinta contos - só! - por seu ofício
Receber, a bem dele... e da nação.
JOSÉ RÉGIO, 1969
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